terça-feira, 24 de maio de 2016

Admirável mundo...velho.

Perdi menus cabelos. Não que fosse uma cabeleira explendida, nada disso, era um cabelo estranho e rebelde. Mas os perdi quase todos, fiquei careca, tive que raspá-los no zero. Horrível perder os cabelos, uma força estranha se vai junto dos fios que ficam no chão, não foi nada pensando que poderia tê-los perdido de forma mais grave. Tive uma moléstia: alopecia areata. Um tratamento longo e doloroso, sob todos os aspectos. Num primeiro momento tive o apoio dos meus amigos queridos, sem eles teria sido bem pior. Depois fiquei só. Mais uma casa estranha entrava na minha vida, seis meses! Meus filhos se revezaram, me acompanharam como podiam, afinal cada um tem sua vida e suas coisas para cuidar. O tratamento acabou, voltei para a casa que recem tinha arrumado, aquela estranha e nova casa, sem laços, ainda. A cor artificial foi embora, não mais! Agora meus cabelos estão grisalhos, da cor do tempo, e da minha história. O estranhamento foi natural, olhava e não acreditava que estavam tão brancos, pareciam uma tela pronta para receber um desenho, um novo tempo para ser pincelado com tintas indeléveis e invisíveis, mas como não sou artista, nem sei pintar uma história muito colorida, continuo com eles assim...em branco! A história? Estou deixando assim mesmo.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Quase...

Quase um ano que não escrevo! Preguiça, falta de sonhos, falta de planos, estagnação ? Sei lá! Só sei que nesse tempo vivi uma vida. E e dela que quero voltar a falar. Vou voltar...

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Realidade estranha

Quando começou o estranhamento não sei precisar, mas foi chegando, de mansinho dia após dia; hoje não sinto vontade de fazer quase nada, tenho preguiça. Encolhi emocionalmente, encolhi fisicamente e será que mentalmente também? Dai fica ruim. Minhas emoções estão voltadas quase sempre nas lembranças do passado. Outro dia li ou ouvi que " hoje vivo embrulhada nas minhas lembranças e sou feliz assim". Estou lembrando muito de coisas da vida quando criança, adolescente e adulta, coisas que me fizeram muito mal e que pensei nunca lembrar; pois pensei e lembrei! Com tal nitidez que impressionou, tratei delas com paciência e as afastei para bem longe, para sempre espero! Tenho uma amiga que traça ou traçava seus sonhos, meticulosamente, numa agenda. Alguns, tenho certeza, se concretizaram e o que será que ela fez com aqueles que não deram certo? Os meus não foram traçados em papel, todos estavam aqui na minha cabeça. Se bem que tenho uma lacuna extensa, cheia de pontinhos que não consigo preencher, parece que não era eu, na verdade era como se fosse uma espectadora de mim mesma. Dai surge o estranhamento: não era assim, não era para ser desse jeito, combinei com a vida que seria de outra forma, mais suave, mais aconchego, mais vida, mais tudo. Me enganei, com a vida não se faz acordos. De estranhamento em estranhamento vou vivendo e me adaptando. Mas não era assim que era para ser, não mesmo. Mas sou teimosa: vou tentar mais uma vez fazer um acordo com a vida, vou vivê-la até o fim, do jeitinho que ela quiser. Ah, e vou vivê-la em paz! Mesmo que para isso tenha que passar a limpo muito do que vivi.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Madrugada

Fria e escura. Insone e pensamentos indo e vindo, não se fixando em nada. Um turbilhão, um sem fim de ir e vir; passado, presente e futuro. E, ainda o inexorável tempo. Passando e levando de roldão afetos, memórias, pessoas queridas, tirando do lugar tudo que estava arrumadinho. Poxa estava tudo tão direitinho! Mas daí que vem o tempo e leva embora um monte. Aquela pessoa que fez e fará para sempre parte da sua história se foi. Pronto acabou, sua passagem por aqui já deu, vaza, da lugar para outros. E fica o vácuo. Em outro tempo quem sabe nos encontremos. Vá em paz e na luz. Uma amizade atemporal e de afeto tão grande que nem sabia que era tão maior, maior do que o tempo que fica. Redemoinhos de pensamentos e lembranças.

domingo, 14 de setembro de 2014

Gosto...

Hoje acordei pensando em coisas que gosto e não gosto, como se fosse fazer um inventário, uma lista de "não e sim". Mas como, se tem tempos que gosto de uma coisa e depois desgosto!? Hoje estou gostando de um monte e desgostando outro tanto. GOSTO: de dias nublados ( me sinto aconchegada naquela atmosfera cinza ), de sol na praia, de comprar presentes, o coracaozinho da Valentina ( me transforma no tapete dela, pode passar por cima), de tudo nos meus filhos ( até quando dão defeito ), consertar defeitos de filhos, de ter netos (inexplicável o tipo de amor. Engraçado, o amor não deveria ter compartimentos, deveria ser um afeto só , tudo igual. Mas comigo não funciona assim. E como houvessem várias gavetinhas, com etiquetas: esta e da fulana...), de sapato e roupa confortável, de esmaltes (adoro comprar, as vezes nem uso, mas aquele líquido colorido...), supermercados (em qualquer lugar), comprar cheiro verde, o azul dos olhos da Sophia (me perco neles), a transição do Matheus (menino/adolescente), das danças da Manu, da cor da pele da Maria Clara, do meu baú ( e do que tem dentro ), de alguns livros que li, de alguns filmes que assisti, passar a mão em tecidos macios, ir no médico e ele dizer que não e nada, da minha família espiritual, de cheiro de lavanda, de andar sozinha na beira de uma praia deserta, de ceviche, de um casal de amigos, de encontrar os amigos dos meus filhos, de um pijama bem velhinho, de uma calça jeans que tem 10 anos, de fazer criança dormir, e depois ficar olhando. NÃO GOSTO: de não saber colocar ou tirar acentos nesse Ipad, de não saber fazer novo parágrafo, de vento forte( tenho pânico ), de sapo ( não importa o tamanho ), de perder a lucidez, bebida com álcool , de beijar uma pessoa e ela me dar a cabeça p beijar ( beijo e na bochecha ), cheiro de cachorro, caos, multidão, insônia, livro ruim, filme que você assiste para saber como a droga toda vai acabar, filme que não entendo e todo mundo diz ser o máximo ( fico me achando uma anta ), morte de alguém que gosto, sol forte na cidade, jiló. Mas gosto, muito, muito mesmo de viver! Do meu jeito! Mas gosto e assim.

domingo, 31 de agosto de 2014

Pano de fundo.

Tomei conhecimento dessa história tem coisa de um ano, mais ou menos: uma moça, hoje uma moça, mas sua história começa bem antes disso, ainda adolescente. Filha de pessoas conhecidas e queridas, estudou nós melhores colégios daqui, aliás, junto com meus filhos, e prima de uma pessoa da família. Foi na adolescência que teve contato com as drogas; história corriqueira e que engrossa as estatísticas, foi junto com os colegas, todos do seu nível social e econômico, que experimentou. Como ela mesma disse num desabafo desesperado: "todos usamos porque só eu fiquei assim?" Sua trajetória de idas e saídas de clínicas de recuperação e longa, triste, contumaz e desesperadora para seus pais. No meio desse caminho teve dois filhos, hoje criados por seus pais. Ela resolveu que queria morar na rua. Foi ser moradora de rua, ninguém conseguia trazê-la de volta, todas, mas todas mesmo que se possa imaginar, foram tentadas. Nada feito...o demônio do crack já tinha tomado o seu lugar. Dormia nas calçadas, revirava lixo para comer, virou a típica moradora de rua: magra, a sujeira da rua já estava impregnada nela, ficou cinzenta, sem cor e perambulava a cidade inteira. Seus pais desistiram. Só muito sofrimento leva a isso! Sob a vista de todos víamos aquele farrapo humano andando e dormindo e comendo lixo e se drogando. Numa dormida na calçada um ex colega de turma a viu e em meio ao cinza e a magreza, descobriu sua antiga colega de escola. O choque e a tristeza o deixou paralisado. Paralelo a esses episódio , talvez num ultimo e desesperado gesto de lucidez - prefiro achar que Jesus a pegou pela mão - ela foi atrás do primo em seu trabalho, foi tratada com desconfiança, mas acolhida numa ultima e desesperada tentativa, ela aceitou, com alguma relutância em vista de algumas exigências estipuladas. Nesse ínterim o colega que a viu na rua, ligou p o primo e toda história foi contada. Resolveram juntos e com a ajuda de uma moça, que passa por sofrimento parecido na família, aliás, essa moça merece um comentário: movida a alegria, solidariedade, compromisso e força, admiro ela! Então o primo e alguns colegas de escola se mobilizaram para ajudá-la. Ela só aceitou com a condição de que seu companheiro de rua e drogas fosse junto. Fez parte do pacote. Um caminho longo foi percorrido até chegarem a uma comunidade de daime existente muito afastada da cidade. E lá estão há um mês. Fui conhecer a comunidade e seus integrantes. São miseráveis sendo apoiados por outros miseráveis. E uma comunidade pequena, 24 casais, com uma precária administração, pobre, muito pobre, cada casal tem seu barraco e cuida muito bem, passam fome as vezes, vivem de doações e da venda de castanhas nos sinais da cidade. Ali ninguém e obrigada ficar, fica quem quer, o portão e aberto; mas eles ficam. Alguns não! Tomam daime, substituem uma droga pesada por uma mais leve! Lá não há o glamour das comunidades onde se prática essa doutrina com pessoas intelectualizadas e engajadas numa pseudo história de que o daime e a luz para o aperfeiçoamento e conhecimento humano e blá, blá, blá. Tudo balela e droga sim ! Comprovada cientificamente, alucinógeno, o LSD da floresta. Mas e lá no meio do mato, sem glamour, com um pouco de disciplina, um pouco de autoridade, sem nenhuma interferência terapêutica, sem ajuda médica, as vezes sem comida, contando tão somente com a caridade de alguns, que aqueles pobres estão se ajudando, tentando vencer este demônio, se é com a ajuda do daime, que seja então! Fiquei impressionada com a pobreza e a miséria jogada assim sem nenhum filtro na minha cara. Sai de la querendo fazer muito. Não e assim, com eles tem que ser aos poucos. O primo, o grupo de ex colegas e essa moça estão conduzindo muito bem. Essa semana conseguiram tinta p eles pintarem seus barracos. E as doações são levadas todo sábado. Fez um mês que ela está lá, até ligou para a mãe !

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Foi embora...

Não estava aqui quando ela se foi. Não me despedi dela, não deu tempo. Chorei sua partida sozinha, como sozinha gosto de ficar quando preciso sofrer e chorar. Ainda sinto sua falta. Quando comecei a escrever, senti um arrepio e um turbilhão de lembranças misturadas a uma emoção muito forte. Nossas linhas se entrelaçaram por uma vida inteira, nossos filhos não são somente primos são irmãos, foram todos criados juntos. Era uma pessoa muito diferente de mim, mas mesmo assim nós entendíamos, conseguíamos passar férias todos juntos, num tempo tão remoto, que a gente só lembra nas fotos, são muitas, fotos e férias. Nos altos e baixos da vida, nem sempre estávamos perto uma da outra, mas sempre fomos solidárias e sempre sabíamos o que estava se passando nas vidas de cada uma. Quando voltei a primeira casa que fui foi a sua, sentamos na mesa de café, fumamos nossos cigarros e conversamos até...era uma pessoa muito peculiar, muito honesta com o que acreditava ser o certo para ela, muito embora não fosse consenso, pouco se importava, ela pensava assim e pronto! Não concordar com seu modo de vida, sua maneira de pensar, não lhe tirava o sono. Viveu a sua vida! Educou seus filhos muito bem: são pessoas da melhor qualidade! Viveu com seu companheiro uma vida inteira, do jeito deles e até foram felizes, hoje ele está sem ela igual um "papelim" de tão frágil! Ela era forte e ele nem sabia! Quero muito que ela esteja num lugar bom. Ainda vou chorar a sua falta, cada vez menos, mas vou chorar. Já acordei pensando " vou tomar um café e fumar um cigarro com..." Dai lembro que ela não está mais aqui, já foi! E possível continuar gostando muito de quem não está mais aqui? E sim! Vou gostar dela para sempre.